ESG ganha espaço na estratégia das empresas, mas mensuração financeira ainda é desafio
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ESG ganha espaço na estratégia das empresas, mas mensuração financeira ainda é desafio
Pesquisa da Amcham Brasil revela avanço da agenda ESG e aponta desafios relacionados a indicadores, riscos, regulação e formação profissional
A sustentabilidade ganhou espaço nas decisões estratégicas das empresas brasileiras, mas a consolidação dessa agenda traz um novo desafio para as organizações: transformar compromissos ambientais, sociais e de governança em indicadores, gestão de riscos, eficiência e resultados mensuráveis.
É o que mostra o Panorama Sustentabilidade 2026, realizado pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas. O levantamento ouviu 587 executivos, sendo 84% em cargos de decisão, de organizações que, juntas, representam mais de 666 mil colaboradores e R$ 671 bilhões em faturamento anual.
Segundo a pesquisa, 87% das empresas afirmam atuar em sustentabilidade em 2026, ante 80% em 2023. O avanço também aparece na integração da agenda ao planejamento empresarial: 59% afirmam incorporar sustentabilidade à estratégia corporativa, mais que o dobro dos 26% registrados três anos antes.
Os dados indicam, portanto, uma mudança no papel da sustentabilidade dentro das organizações. Se antes muitas iniciativas estavam concentradas em projetos específicos ou ações isoladas, a agenda passa a se aproximar das decisões relacionadas ao próprio negócio.
Desafio: demonstrar valor
O crescimento da sustentabilidade na estratégia empresarial, porém, não significa que as organizações já tenham mecanismos consolidados para mensurar seus efeitos.O Panorama 2026 mostra que 74% dos participantes percebem impacto positivo da sustentabilidade na reputação das empresas. Outros 65% relacionam a agenda à melhoria da eficiência dos processos e 60% à redução de custos.
Quando os indicadores se aproximam diretamente dos resultados financeiros, entretanto, os percentuais diminuem. 49% percebem potencial de crescimento de receita, 41% citam acesso a capital e 39% apontam melhoria de margem. Apenas 34% conseguem mensurar de forma estruturada o retorno financeiro das iniciativas de sustentabilidade.
A própria comprovação do retorno financeiro aparece como o principal obstáculo ao avanço da agenda, apontado por 44% dos entrevistados. Na sequência estão acesso a capital, com 38%; integração à estratégia, com 36%; e engajamento da liderança, com 35%.
O cenário reforça uma transformação importante: para avançar, ESG precisa estar conectado a processos de gestão e não apenas a compromissos institucionais.
Indicadores, riscos e oportunidades entram na agenda
A dificuldade de mensuração também está relacionada à estrutura disponível para acompanhar a agenda. De acordo com o levantamento, 73% das empresas não possuem ou não atualizam sua matriz de materialidade, enquanto 68% não publicam relatório de sustentabilidade e 61% não realizam benchmarking.Na gestão de riscos e oportunidades, o espaço para avanço também é significativo. Apenas 31% monitoram riscos relacionados à sustentabilidade e 28% acompanham oportunidades.
O levantamento mostra ainda que a agenda ambiental permanece com desafios importantes. Embora inovação e tecnologia sejam apontadas por 59% dos participantes como tema de materialidade, apenas 29% das empresas afirmam reduzir ou compensar emissões de gases de efeito estufa. Na biodiversidade, somente 8% a consideram entre os temas prioritários de materialidade.
Para as empresas, portanto, o desafio passa por identificar quais temas são mais relevantes para sua atividade, estabelecer indicadores, acompanhar riscos e oportunidades e conectar essas informações às decisões estratégicas.
Regulação aumenta demanda por conhecimento
A transformação também é impulsionada pelo ambiente regulatório. Segundo o Panorama 2026, 57% das empresas já integram regulamentações de sustentabilidade à estratégia, aos investimentos ou à governança. Por outro lado, apenas 26% se consideram totalmente preparadas para esse cenário.Entre os temas regulatórios que concentram atenção estão a NR-01 e questões relacionadas à saúde e bem-estar, citadas por 42% dos participantes; economia circular, com 34%; e mercado regulado de carbono, com 25%. Também aparecem questões relacionadas à cadeia de fornecedores, reporte e transparência, incluindo IFRS S1/S2 e CSRD/ESRS.
Esse contexto amplia a necessidade de profissionais capazes de interpretar mudanças regulatórias, avaliar impactos para as organizações, estruturar indicadores e transformar requisitos em processos de gestão.
Oportunidades para os negócios
A pesquisa aponta que a agenda ESG não está associada somente à gestão de riscos. Entre as principais oportunidades identificadas pelos executivos estão parcerias estratégicas, citadas por 71%; eficiência e redução de custos, por 69%; inovação em modelos de negócio, por 65%; investimentos em tecnologia, também por 65%; e desenvolvimento de novos produtos e serviços, por 63%.A capacidade de identificar essas oportunidades e conectá-las à estratégia empresarial passa a ser, assim, uma competência relevante para diferentes áreas da organização.
Uma iniciativa de economia circular, por exemplo, pode envolver simultaneamente redução de desperdícios, eficiência de recursos, inovação de processos e novos modelos de negócio. Da mesma forma, a gestão de fornecedores pode incorporar critérios socioambientais ao mesmo tempo em que contribui para reduzir riscos e ampliar a eficiência da cadeia.
Mudança no perfil dos profissionais
Com a sustentabilidade ocupando espaço crescente na estratégia, também muda o perfil dos profissionais responsáveis por conduzir essa agenda. O mercado passa a demandar competências que combinam conhecimento técnico, visão de negócio, gestão de riscos, análise de indicadores e capacidade de implementar projetos.
É nesse contexto que se insere a pós-graduação em Sustentabilidade e ESG Corporativo do UniSenai PR, voltada a profissionais com diploma de ensino superior de diferentes áreas que atuem ou desejem atuar em sustentabilidade, responsabilidade social, governança, compliance, planejamento estratégico, inovação, cadeia de suprimentos ou consultoria. A formação também contempla gestores e lideranças de empresas industriais e de serviços, profissionais do setor público e do terceiro setor.
A especialização aborda justamente competências relacionadas a alguns dos desafios identificados pelo Panorama 2026. Entre os objetivos do curso estão o desenvolvimento de uma compreensão crítica dos pilares ambiental, social e de governança e suas inter-relações no ambiente corporativo; a elaboração e implantação de políticas, indicadores e relatórios de sustentabilidade; o diagnóstico e a gestão de riscos socioambientais e de governança; além da aplicação de conceitos de economia circular e eficiência de recursos.
A formação também trabalha competências de liderança, comunicação com stakeholders e desenvolvimento de projetos aplicados com potencial de gerar impacto mensurável em organizações industriais, empresas de serviços e órgãos públicos. A proposta está alinhada à estratégia do UniSenai PR de aproximar a formação das necessidades concretas da indústria e do mercado de trabalho.
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